“As pessoas devem ser tratadas com amor”

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“A enfermagem não é uma profissão lucrativa. Não é para ganhar dinheiro. É um trabalho que a gente tem de fazer com os olhos de Deus. Porque pra Deus todos os seres humanos são iguais. E quem pensa em apenas ganhar dinheiro é melhor escolher outro trabalho”. É assim, com esta filosofia, que Bianca Lira, técnica de enfermagem da rede pública de Cubatão há mais de 30 anos, toca a sua vida.
Tratando a sua profissão como vocação, ela é conhecida no Jardim São Francisco e nos bairros vizinhos por não negar atendimento às pessoas, mesmo fora do horário de trabalho. Se algum paciente precisa de cuidados de enfermagem, ela não se furta em ir até a casa do enfermo e prestar o atendimento. “Algumas amigas dizem que sou boba, por fazer trabalho de graça. Por atender fora do horário e não cobrar nada. Eu muitas vezes ignoro porque eu sei o quanto é importante o meu trabalho para as pessoas. Acredito que Deus me recompensa de sua maneira”.

A relação de Bianca com a Saúde começou aos 19 anos, quando ingressou no curso de enfermagem. Dois anos depois ela já estava formada e logo ingressou na extinta Fundação Cubatense de Saúde para trabalhar no hospital do município. Em seguida, ela prestou concurso e passou para o quadro de funcionários da Prefeitura. Foi aí que ela começou a compreender a importância da sua profissão e a realidade triste da população.

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“Comecei a trabalhar nos postos de saúde espalhados pelos bairros da cidade e compreendi como o povo era, e ainda é, carente de saúde, de atendimento. Foi quando eu pensei: eu preciso tentar mudar essa realidade. Não posso ficar parada”, conta. A maneira que Bianca encontrou para tentar amenizar o sofrimento das pessoas foi se doando ainda mais. “Desde então, eu comecei a visitar as famílias, ver se eles estavam tomando os remédios conforme os médicos receitavam. Trocava curativos, aplicava injeções e fazia o atendimento a todos aqueles que teriam de aguardar muito para ser atendido na rede pública e não tinha dinheiro para pagar o atendimento particular”, lembra.

A rotina iniciada ainda quando era uma jovem técnica de enfermagem continua até hoje. Lotada na Unidade Básica de Saúde do CSU, no Jardim Costa e Silva, Bianca afirma que mantém a mesma forma de trabalhar e atender as pessoas de quando ainda era uma garota com 20 anos.

“Costumo dizer que na nossa profissão, temos de trabalhar com amor. E isso está faltando muito na nossa profissão. Eu amo as pessoas. Não faço distinção de classe social. Isso é indiferente. Temos de tratar bem as pessoas. E claro que isso retorna pra vida da gente”.

Com seu jeito atencioso se tornou referência no bairro. É conhecida como doutora Bianca e passou a ser muito mais do que uma técnica de enfermagem. Diariamente, ela chega a atender cerca de 40 pessoas, muitas delas apenas querendo um ombro amigo para se apoiar. “Muitas pessoas apenas precisam de atenção. De serem ouvidas. E com este tempo todo de profissão eu aprendi a ser uma boa ouvinte”.

Mãe de três filhos (duas meninas e um menino), Bianca mora numa casa confortável e bem decorada no Jardim São Francisco. Está sempre bem-vestida e maquiada e não abre mão do salto alto. “É assim que vou trabalhar todos os dias. Acredito que estar bem-vestida, arrumada passa credibilidade e mostra respeito ao meu trabalho e às pessoas que procuram a Unidade de Saúde”.

Bianca sempre foi avessa à política. “Tinha asco”, diz ela. Mas, no ano passado, motivada pelos seus pacientes, aceitou se candidatar a vereadora. Os pouco mais de 300 votos não foram suficientes para elegê-la, mas a fez confirmar um pouco do que pensava sobre o mundo político. “Claro que não são todos. Mas vi muita gente prometendo aquilo que nunca cumpriria. Vendendo ilusões para pessoas humildes. Isso me entristeceu”. Apesar da decepção, ela não abre mão totalmente de candidatar outra vez. “Agora, eu diria que não seria candidata outra vez. Mas se o projeto for realmente bom eu até que tentaria para ver se é possível mudar algo de verdade”.

Enquanto isso, ela continua trabalhando e fazendo os seus atendimentos, dentro e fora do horário de trabalho e nem pensa em se aposentar. “Eu ainda tenho muita saúde. Estou bem. Amo o que eu faço e vou continuar fazendo até quando tiver forças”. A população agradece.

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