Cordel esquecido

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EM UM PAÍS com um abismo social como o nosso, a literatura de cordel que está intimamente ligada às temáticas sociais, deveria ser mais difundida

O quase conto de fadas que se passava no sertão brasileiro, o folhetim global Cordel Encantado, terminou há pouco tempo com sucesso de crítica. A história dos mocinhos e vilões do sertão de Brogodó e os reis e as princesas de Seráfia caiu no gosto do público.
Porém, o sucesso da novela não conseguiu popularizar, no ponto merecido, a cultura do cordel. Quem associou a abertura e o nome da telenovela à literatura típica do Nordeste e teve interesse em pesquisar mais sobre o gênero? Infelizmente, não foram muitos.
A Literatura de cordel é um gênero literário escrito na forma rimada, originado em relatos orais e depois impresso em folhetos. Teve origem lá pelo século XVI e o nome surgiu da forma como tradicionalmente os folhetos eram expostos para venda: pendurados em cordas, cordéis ou barbantes em Portugal. No Nordeste do Brasil o nome foi herdado, mas a tradição do barbante não ‘pegou’.
No mês passado, a capital (São Paulo), que é o lugar com maior concentração de nordestinos fora do Nordeste, recebeu o I Fórum de Cordel que reuniu acadêmicos, pesquisadores e poetas. A constatação foi triste: o gênero é desconhecido.
O professor de sociologia Fernando Antônio Duarte dos Santos, o Nando Poeta, lamenta. Ele, que coordenou o Fórum, defende o ensino dessa arte nas escolas. E com razão. Em um país com um abismo social como o nosso, repleto de preconceitos e injustiças, a literatura de cordel que está intimamente ligada às temáticas sociais, deveria ser mais difundida. No Ceará e no Piauí, e aos poucos em Pernambuco, o ensino do gênero nas escolas já é realidade. Bom seria se fosse no país inteiro. É uma pena que muitos ainda associem a literatura de cordel a uma atividade de analfabetos e ignorem nomes como Patativa do Assaré e o envolvimento do erudito Castro Alves com o gênero.

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