Oxes e Oxentes de raiz

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Eles construíram estradas, ergueram obras, mas, acima de tudo, deixaram marcado, como tatuagem, uma cultura rica no nosso dia-a-dia

Por Tatiane Calixto

Recentemente o IBGE revelou uma importante tendência sobre o deslocamento da população. As pesquisas apontaram uma diminuição na migração interna no país. Quem nasceu naquele canto quer ficar e quem saiu quer voltar. As pessoas não querem abandonar mais as sua origens, nem mesmo a disputada capital paulista atrai tanto os imigrantes. São Paulo registrou mais “exportação” do que “importação” de moradores.
Os resultados merecem comemoração. Não pelos argumentos xenófobos de que São Paulo é de paulistanos para paulistanos, mas no caso do Nordeste, por ter criado mais oportunidades de emprego e melhores condições de vida, segurando seus filhos em suas terras, e isso é motivo de alegria para todos os brasileiros.
Mas nada disso consegue fazer desaparecer a cara nordestina que existe em São Paulo e, principalmente, na Baixada Santista. É de fato aquela história do ‘junto e misturado’, que não dá para separar.
Apenas nos nove municípios da Baixada, os migrantes nordestinos são quase 21%. Basta dar uma volta pela Zona Noroeste, em Santos, ou em Vicente Carvalho, Guarujá para constatar. Em Cubatão, cerca de 64% da população é originária de algum estado do Nordeste. Desta forma, junto com Chico, ecoam outras vozes cantando “meu pai era paulista, meu avô pernambucano…”.
A maioria chegou aqui por conta do processo de industrialização e de grandes obras como as Rodovias Anchieta e Imigrantes.
Porém, a história dos nordestinos não se resume à expressão “pés e mãos do senhor de engenho”, como foi usado na época colonial, referindo-se aos negros. Eles construíram estradas, ergueram obras, mas, acima de tudo, deixaram marcado como uma tatuagem, uma cultura rica que hoje já é intrínseca ao nosso dia-a-dia. Acrescente-se à frase de João Antônio Andreoni a palavra raiz. Porque é, também, do povo nordestino a raiz, a essência, do que hoje é a Baixada Santista e o estado de São Paulo com seus ‘oxes’ e ‘oxentes’.

“meu pai era
paulista, meu avô
pernambucano…”

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